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Liga do futebol brasileiro: CBF projeta mudanças estruturais no Brasileirão até 2026

A Confederação Brasileira de Futebol deu mais um passo rumo à criação de uma liga única no futebol nacional. Em reunião realizada nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, a entidade apresentou um amplo estudo aos clubes das Séries A e B, com diretrizes, problemas estruturais e propostas que devem ser discutidas ao longo de 2026, com a previsão de consolidação do estatuto da nova liga até dezembro.

A iniciativa marca um novo momento de governança no futebol brasileiro, transferindo aos clubes decisões estratégicas que historicamente ficaram sob responsabilidade da própria CBF.


⚽ Liga terá poder sobre temas polêmicos

Com a futura liga, decisões importantes do Brasileirão passarão a ser definidas de forma coletiva. Entre os principais temas em debate está a utilização de gramados sintéticos, atualmente adotados por clubes como Atlético-MG, Athletico, Botafogo, Chapecoense e Palmeiras.

O assunto divide opiniões: enquanto parte dos clubes defende o uso do piso artificial pela padronização, outros criticam e cobram melhorias nos gramados naturais. A nova estrutura de liga pretende estabelecer critérios claros para votação e definição desses temas.

Outro ponto relevante envolve o rebaixamento. Existe a possibilidade de redução de quatro para três equipes rebaixadas na Série A, o que impactaria diretamente as divisões inferiores, especialmente o número de acessos da Série B.

Além disso, também está em pauta o limite de estrangeiros por partida — atualmente em nove jogadores —, com discussões sobre possíveis ajustes para valorizar atletas formados no país.


💰 Endividamento dos clubes entra no radar

O estudo da CBF também acendeu um alerta sobre a saúde financeira dos clubes. Apesar do aumento significativo de receitas nos últimos anos — impulsionado por SAFs, patrocínios e direitos de transmissão —, não houve evolução proporcional na qualidade do futebol.

Segundo levantamento apresentado, o endividamento dos clubes cresceu 147% entre 2022 e 2024, evidenciando um cenário preocupante. Grande parte dos recursos foi destinada ao aumento de folhas salariais e contratações, encarecendo o mercado sem elevar o nível técnico de forma consistente.

Diante disso, a entidade aposta na ampliação de regras como o Fair Play Financeiro, agora dentro da estrutura da futura liga, para garantir maior sustentabilidade econômica.


📊 Diagnóstico aponta “gap” com grandes ligas

Na análise comparativa com ligas como a Premier League, a La Liga e a Bundesliga, o futebol brasileiro aparece atrás em todos os principais indicadores.

Entre os pontos avaliados estão:

  • Calendário
  • Tempo de bola rolando
  • Estrutura e segurança dos estádios
  • Qualidade de transmissão
  • Marketing e comunicação
  • Governança
  • Sustentabilidade financeira

Um dos dados que chamam atenção é o horário dos jogos: cerca de 80% das partidas no Brasil são à noite, enquanto na Inglaterra esse número é de apenas 25%. A CBF entende que isso pode impactar diretamente na presença de público, que já é menor em comparação às principais ligas europeias.


📉 Produto subvalorizado e com potencial

Apesar dos desafios, o estudo aponta que o futebol brasileiro ainda possui enorme potencial de crescimento. Segundo pesquisa, cerca de 140 milhões de brasileiros torcem para algum clube, sendo 40 milhões considerados fanáticos.

Mesmo assim, a receita da liga nacional ainda é inferior a um terço da Bundesliga, o que reforça a tese de que o produto está subvalorizado e precisa de melhor estrutura comercial e organizacional.


🗓️ Cronograma da liga até 2026

A CBF apresentou um planejamento para a implementação da nova liga:

  • Maio a julho de 2026: coleta de sugestões e elaboração de propostas
  • Agosto a setembro de 2026: apresentação, ajustes e aprovação
  • Outubro a dezembro de 2026: estruturação comercial e criação do estatuto