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Venda da SAF do Vasco avança e pode superar R$ 2 bilhões; acordo entra na reta final

A diretoria do Vasco da Gama intensificou as negociações para a venda da SAF e deu mais um passo importante nesta semana. Em reunião com representantes do empresário Marcos Lamacchia, as partes encaminharam um acordo que pode ultrapassar a marca de R$ 2 bilhões, consolidando uma das maiores operações do futebol brasileiro.

Apesar do avanço, o negócio ainda depende de ajustes finais, especialmente no cronograma de investimentos. O pré-acordo estabelece compromissos mínimos em áreas estratégicas como contratações, folha salarial, infraestrutura do CT, fluxo de caixa e até apoio aos esportes olímpicos, via leis de incentivo. Além disso, o novo investidor deve seguir o planejamento de pagamento das dívidas dentro do processo de recuperação judicial.

Outro ponto em andamento é a aprovação junto aos órgãos reguladores. Lamacchia trabalha para atender às exigências da agência de fair play financeiro da CBF, etapa essencial antes da oficialização do negócio. Internamente, o acordo também precisará passar pelos conselhos do clube — incluindo Beneméritos e Deliberativo — antes da assinatura definitiva.

Nos bastidores, o presidente Pedrinho demonstrou otimismo com o desfecho positivo das tratativas. O modelo prevê a aquisição de 90% da SAF, incluindo a fatia ligada ao “espólio” da 777 Partners, cuja responsabilidade foi incorporada ao valor total da venda. Até o momento, não há expectativa de entraves relevantes para a conclusão.

Vasco inicia pagamentos da recuperação judicial

Paralelamente às negociações, o Vasco já começou a executar o plano de recuperação judicial. O clube projeta encerrar março com cerca de R$ 20 milhões em dívidas quitadas no primeiro trimestre de 2026.

Desse total, aproximadamente R$ 8 milhões correspondem a débitos cíveis e trabalhistas. Além disso, outros R$ 10 milhões devem ser pagos em acordos coletivos vinculados à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF. O clube ainda busca novas negociações dentro desse órgão para avançar na regularização financeira.

Da crise com a 777 ao novo investidor

O cenário atual representa uma virada importante após o rompimento com a 777 Partners. A gestão liderada por Pedrinho acionou a Justiça ao identificar irregularidades contratuais, afastando o grupo antes mesmo de seu colapso global.

Desde então, o Vasco reorganizou suas finanças e manteve compromissos em dia. Mesmo sem um investidor, o clube alcançou bons resultados esportivos e financeiros, incluindo campanhas consistentes na Copa do Brasil e um fechamento de temporada com cerca de R$ 60 milhões em caixa, impulsionado por bilheteria e programa de sócios. O clube também contou com aporte financeiro por meio de parceria com a Crefisa.

Quem é Marcos Lamacchia?

Filho do fundador da Crefisa, Lamacchia também construiu trajetória no mercado financeiro. Em 2011, criou a Blue Star e acumulou experiência em instituições como o Banco Alfa. Atualmente, divide seu tempo entre os Estados Unidos e o Brasil, acompanhando de perto todos os detalhes da negociação.

Estrutura atual da SAF do Vasco

Hoje, a divisão acionária da SAF vascaína está distribuída da seguinte forma:

  • 30% pertencem ao clube associativo
  • 31% ainda ligados à 777 Partners
  • 39% sob controle do Vasco por decisão judicial, em disputa arbitral

Para viabilizar a venda completa, será necessário um acordo definitivo ou decisão judicial favorável ao clube sobre essa fatia em litígio.