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CBF inicia debates para criação do primeiro Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol brasileiro

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu início às discussões para a criação do primeiro Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) do futebol nacional. O encontro, realizado no hotel Grand Hyatt, marcou o começo oficial dos trabalhos do Grupo de Trabalho (GT) formado por 34 clubes e 10 federações estaduais, que irão desenvolver, de forma colaborativa, um modelo de fair play financeiro para o futebol brasileiro.

Fair Play Financeiro: prioridade da nova gestão

A implementação de um sistema de fair play financeiro é uma das pautas prioritárias da gestão do presidente Samir Xaud. Em menos de três meses à frente da CBF, Xaud conseguiu mobilizar as principais entidades do futebol nacional para iniciar esse projeto estratégico.

“Fico muito feliz de estar dando esse pontapé inicial com apenas 78 dias de gestão. Este é um passo importante. O objetivo é construir um ecossistema financeiro autossustentável, onde possamos sanar dívidas e promover um futebol limpo, livre do chamado ‘doping financeiro’. Isso beneficia todo o futebol brasileiro”, destacou Xaud.

Situação financeira preocupa a CBF

Segundo a CBF, uma das maiores preocupações no cenário atual é o desequilíbrio entre os investimentos crescentes dos clubes e a geração de receitas sustentáveis. Essa discrepância, se não for controlada, pode comprometer a saúde financeira do futebol no médio e longo prazo. O SSF surge como uma resposta estruturada para enfrentar essa realidade.

Liderança e representatividade no Grupo de Trabalho

O vice-presidente da CBF e presidente da Federação Paraense de Futebol, Ricardo Gluck Paul, foi nomeado presidente do Grupo de Trabalho. Com passagem anterior pela presidência do Paysandu, Gluck Paul enfatizou a importância e o ineditismo da iniciativa:

“É um evento histórico. A CBF está tratando o tema com coragem e comprometimento. Colocar federações e clubes na mesma mesa para discutir finanças é algo inédito. Como ex-dirigente de clube e atual presidente de federação, sei o quanto isso é necessário.”

Adesão expressiva mostra urgência do tema

A expressiva adesão ao projeto demonstra o grau de urgência e a credibilidade da iniciativa. Entre os clubes da Série A presentes estavam Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Grêmio, Internacional, Juventude, Mirassol, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.

Já da Série B, participaram América-MG, Athletic, Athletico-PR, Avaí, Chapecoense, CRB, Ferroviária, Goiás, Novorizontino, Paysandu, Remo e Volta Redonda. As federações estaduais de Alagoas, Amapá, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe também marcaram presença.

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, reforçou o impacto positivo que o projeto pode ter:

“A adesão mostra a seriedade e a urgência do tema. O presidente Samir Xaud assumiu esse compromisso e já está colocando em prática. Não podemos discutir liga ou evolução estrutural sem resolver a questão financeira. O fair play pode tornar o futebol brasileiro mais justo e competitivo.”

Especialista da UEFA reforça a importância do modelo adaptado ao Brasil

Como convidado especial, Sefton Perry, chefe do Centro de Análise e Inteligência da UEFA, compartilhou sua experiência com os modelos europeus e destacou a necessidade de adaptação à realidade brasileira:

“O mais importante é formar um grupo de trabalho sólido e desenvolver um modelo que se encaixe no contexto do futebol brasileiro. Um sistema bem estruturado pode atrair investimentos e aumentar a confiança no nosso futebol.”

Próximos passos: CBF Summit 2025

O evento foi encerrado com uma sessão de discussão aberta, onde os clubes reafirmaram o compromisso com o desenvolvimento do modelo de fair play financeiro. A proposta final será apresentada oficialmente durante o CBF Summit, que acontecerá no dia 26 de novembro de 2025.

“Podemos adiantar que o modelo será apresentado no CBF Summit, com base nas contribuições de todos os participantes do GT”, concluiu Helder Melillo, diretor executivo da CBF e relator do Grupo de Trabalho.