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CBF lança Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), novo modelo de Fair Play Financeiro no Brasil

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou em evento realizado em São Paulo, o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), modelo de Fair Play Financeiro adaptado ao futebol brasileiro. A iniciativa estabelece regras econômicas para os clubes e será implantada de forma gradual a partir de 2026.

Inspiração internacional e adaptação ao Brasil

Segundo a CBF, o SSF foi desenvolvido em conjunto com clubes e federações, inspirado em padrões já utilizados em ligas da Inglaterra, França, Espanha e pela UEFA, mas ajustado ao contexto nacional. O objetivo é criar limites para dívidas, gastos com elenco e endividamento, garantindo maior equilíbrio operacional às equipes brasileiras.

Quatro pilares do Fair Play Financeiro brasileiro

O novo modelo se apoia em quatro pilares principais:

  • Controle de dívidas em atraso
  • Equilíbrio operacional das contas
  • Controle de custos com o elenco
  • Limites para o endividamento de curto prazo

Esses indicadores serão monitorados pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão independente com autonomia para aplicar sanções a clubes e dirigentes em caso de descumprimento.

Investimentos continuam liberados

Diferentemente de alguns países europeus, o SSF não limita a entrada de investimentos externos. De acordo com a CBF, essa abertura busca aproveitar o momento de forte atração de capital estrangeiro e a expansão das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) no Brasil.

O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou:

“Nosso fair play financeiro foi construído a várias mãos, com muito diálogo e participação ativa dos clubes e federações. Queremos um sistema sustentável, que controle gastos, reduza dívidas e crie um ambiente saudável para o futebol brasileiro.”

Detalhes dos pilares do SSF

1. Dívidas em atraso

  • Fiscalização em três datas anuais: 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro.
  • Transferências registradas em tempo real no sistema DTMS, garantindo rastreabilidade.
  • Dívidas vencidas até 2025 entram em regime de transição e devem ser quitadas até 30 de novembro de 2026.
  • A partir de janeiro de 2026, qualquer atraso será considerado violação imediata.

2. Equilíbrio operacional

  • Clubes devem apresentar superávit, com receitas superiores às despesas.
  • Avaliação em ciclos de três anos, permitindo monitoramento em caso de déficit.
  • Limite de déficit: R$ 30 milhões ou 2,5% da receita na Série A e R$ 10 milhões ou 2,5% na Série B.
  • Investimentos em base, futebol feminino, infraestrutura e projetos sociais não entram na conta.
  • Entre 2026 e 2027, descumprimentos geram apenas advertências; a partir de 2028, passam a valer sanções plenas.

3. Controle de custos com elenco

  • Inclui salários, encargos, direitos de imagem e amortizações de contratos.
  • A “folha ampliada” deve se manter em até 70% das receitas operacionais, transferências e aportes de capital.
  • Em 2026 e 2027, haverá fase de adaptação com advertências.
  • A partir de 2028, o teto será de 70% para Série A e 80% para Série B.

4. Endividamento de curto prazo

  • Considera dívidas líquidas com vencimento em até 12 meses.
  • Meta de longo prazo: 45% ou menos das receitas relevantes.
  • Entre 2025 e 2027, limites aplicados em caráter de transição.
  • De 2028 a 2030, haverá rampa de implementação: 60% em 2028, 50% em 2029 e 45% em 2030.