A SAF Botafogo entrou na Justiça do Rio de Janeiro contra o Olympique Lyonnais, braço da Eagle Football, rede multi-clubes do americano John Textor, em busca do pagamento de dívidas que somam R$ 745 milhões. Os processos se referem a transferências realizadas entre os clubes sob o sistema de caixa único, que não está mais em vigor, e envolvem contratos de empréstimos intragrupo firmados entre 2024 e 2025.
Ações judiciais e valores cobrados
O primeiro processo tem caráter de execução extrajudicial, permitindo execução imediata em até três dias. Ele corresponde a três transferências realizadas ao Lyon em março de 2025, totalizando 21 milhões de euros (aproximadamente R$ 129 milhões). A SAF se baseia em um contrato de fevereiro de 2025 que previa empréstimos internos dentro da Eagle Football de até 100 milhões de euros, com “livre circulação de recursos”.
Já o segundo processo envolve 11 transferências entre março de 2024 e fevereiro de 2025, somando cerca de R$ 573 milhões. A defesa da SAF argumenta que o Lyon se beneficiou dos valores, mas não efetuou devolução, rompendo o acordo de cash pooling que mantinha o modelo colaborativo entre os clubes do grupo.
Empréstimos bancários e juros não pagos
Além das transferências, a SAF Botafogo cita a concessão de um empréstimo junto ao Banco XP, por meio de Cédula de Crédito Bancário (CCB), no valor de R$ 323,4 milhões, repassado ao Lyon. O clube francês teria se comprometido a pagar juros de 7,6 milhões de euros (cerca de R$ 45 milhões), que não foram quitados. A SAF defende que a Justiça do Rio tem jurisdição sobre o caso, pois o Lyon teria aceitado o foro no Brasil quando o acordo foi firmado.
Contexto do conflito: Botafogo e Lyon
As divergências entre Botafogo e Lyon vão além das ações judiciais. Após a saída de Textor do comando do clube francês em junho de 2025, novos controladores tentaram interferir na gestão do Botafogo. O americano também acusou Michelle Kang e a Ares de serem responsáveis pelo transfer ban aplicado ao clube carioca. Paralelamente, o Lyon acionou o Botafogo na FIFA por não pagamento da compra de Jeffinho.
Em março de 2026, John Textor perdeu poderes como diretor na Eagle Bidco, subsidiária que controla os clubes da rede, embora sua gestão no Botafogo não tenha sido afetada — ele ainda pode ser removido por um Tribunal Arbitral da FGV.
Nota oficial do Botafogo
O clube declarou que tomará medidas irreversíveis para recuperar integralmente os valores devidos e proteger o patrimônio e o projeto esportivo. Segundo o Botafogo, os aportes financeiros somaram mais de R$ 745 milhões, mas, com o rompimento unilateral do acordo pelo Lyon, o clube francês deixou de cumprir suas obrigações, gerando impactos diretos na operação e planejamento do Botafogo, incluindo o transfer ban aplicado pela FIFA em 2025.



